Presos suspeitos de envolvimento em chacina de Itaboraí

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A Polícia Civil e o Ministério Público (MP) realizaram, na manhã de ontem, uma operação para desarticular uma quadrilha de milicianos que atua em bairros de Itaboraí. O grupo paramilitar é responsável por diversos assassinatos no município e pode estar envolvido na chacina que deixou nove pessoas mortas e três baleadas entre a tarde do último domingo (20) e o início da madrugada de segunda-feira (21).

A Operação ‘Barão’ tinha objetivo de cumprir mandados de prisão temporária contra nove investigados, e dois dos acusados foram presos. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, incluindo a quebra de sigilo de dados e de comunicações telefônicas.

A Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) começou a investigar a quadrilha, ainda em 2017, após diversos assassinatos e registros de desaparecimentos nos bairros Visconde, Areal e São Joaquim.

Com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, os agentes descobriram que, além de executar traficantes para conquistar o domínio territorial, os milicianos cobravam taxas a moradores e comerciantes da região como forma de extorquir a população para oferecer um serviço clandestino de segurança privada.

Segundo a apuração da DH, a quadrilha cobrava valores entre R$ 20 a R$ 25 por casa; e R$ 40 e R$ 50 para os comerciantes, além de exigir parte do dinheiro arrecadado pelos fornecedores de internet banda-larga, por motoristas de transporte alternativo e da venda de gás de cozinha.

As investigações apontaram que as pessoas que se negavam a pagar a propina sofriam punições severas, podendo, até mesmo, quitar a dívida com a própria vida.

“Quem não aceitava pagar ou questionava a cobrança tinha sua casa invadida e seus pertences roubados. Em alguns casos eles sequestravam as pessoas, torturavam e até matavam. Além disso, eles também já mataram pessoas por achar que elas eram informantes da polícia. O grupo também sumia com alguns dos corpos, gerando registros de desaparecimento”, explicou o delegado Gabriel Poiava, responsável pela investigação.

Grupo pode ser autor da chacina de domingo

Durante a ‘Operação Barão’, Maycon Rodrigues Lima foi preso em cumprimento de mandado de prisão. Já, Delano Xavier de Mendonça acabou preso em flagrante, quando os agentes cumpriam um mandado de busca e apreensão na sua casa. No imóvel, foram encontradas toucas-ninja e diversas roupas pretas. No celular de Delano, os policiais encontraram fotos dele armado.

“Encontramos com o Delano toucas e roupas pretas. As testemunhas da chacina contaram em depoimento que os autores dos disparos vestiam roupas pretas e estavam de touca. É uma possível relação que nós iremos investigar. Ainda vamos ouvir os presos para ver se eles falam algo a respeito e iremos continuar investigando tanto o grupo de milicianos, quanto a chacina, para descobrir quem foi o responsável pelo crime”, esclareceu Gabriel Poiava.

Uma Pick-up S10, que era usada pela quadrilha de milicianos, também foi apreendida durante a operação. O carro irá passar por perícia, mas já foi constatado que sua placa era de outro veículo.

Foram identificados como integrantes do grupo Wanderson da Silva Oliveira, o Juninho Milícia, Renato Nascimento dos Santos, o Renatinho Problema, Luciano Rosa Gomes, o Serrote, Wildson de Souza Coutinho, o Angolano, Felipe Cesar dos Santos, José Alfredo Bardasson Marques, o Alfredinho, Diego Amaral de Miranda, o Diego KB, Maycon Rodrigues Lima, e Pablo Tavares da Silva, o Japa.

Apontados como líderes da milícia, Felipe César dos Santos, o Pietro, e Thiago de Souza Gonçalves, já haviam sido presos na quarta-feira, por policiais da 71ªDP (Itaboraí). No final da noite de ontem, outro dos milicianos procurado, Luciano Rosa Gomes, o Serrote foi preso por policiais da 71ªDP.

(O São Gonçalo)

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