Número de curtidas nas redes sociais pode estar relacionado à depressão

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Épossível relacionar comportamentos nas redes sociais com a depressão, aponta estudo de Maricy Caregnato, doutora pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP e docente da Universidade do Mato Grosso do Sul. As interações online também denunciam o grau de gravidade da doença mental, de acordo com o relatório divulgado.

O processo para a obtenção dos dados necessários para a análise foi complicado, conta a pesquisadora. Para começar, foi preciso desenvolver a ferramenta de coleta das informações (um app para Facebook). Depois, vieram as etapas da coleta propriamente dita, os experimentos, as análises, as interpretações e as divulgações dos resultados.

“Por se tratar de um assunto delicado, esbarramos na falta de informação e no precoceito com a doença. Muitas pessoas, inclusive amigos e familiares, não cooperaram com a pesquisa por medo dos resultados”, contou Caregnato. Apesar das dificuldades, 692 voluntários toparam participar do estudo.

A especialista pôde detectar diversos padrões de comportamento nos usuários das redes sociais. Por exemplo, pessoas com sintomas graves de depressão com maior número de amigos se sentem desmotivadas a utilizar redes sociais; o número total de posts deixa de ser significativo para esses pacientes — o mesmo ocorre com quem tem grau moderado da doença. Outro padrão: o aumento de curtidas e postagens também está condicionado a casos mais graves de depressão.

Além disso, pessoas tendem a utilizar mais o Facebook no primeiro trimestre do ano, mas a probabilidade de uso se eleva com o nível de sintomas depressivos e, nos demais trimestres, não existe nenhuma correlação entre uso e sintomas. Outra questão é que os usuários com sintomas depressivos leves e graves curtem mais páginas no primeiro e no quarto trimestres do ano, mas postam menos durante o mesmo período.

Impactos
Para Caregnato, o estudo é interessante para as ciências exatas porque revela um grande potencial das técnicas de regressão logística utilizadas em dados longitudinais oriundos de redes sociais na busca por informações relevantes. Quanto à área da saúde, ela afirma: “Compreendendo sintomas depressivos e manifestações em redes sociais, podemos afirmar que é possível um aprofundamento dessas descobertas com o intuito de contribuir com o auxílio a um diagnóstico precoce da doença”.

A professora sabe que essa é apenas a “ponta do iceberg” e pretende continuar pesquisando o assunto. Contudo, Caregnato acredita que suas descobertas podem ajudar quem sofre de depressão, além de informar quem não conhecem muito sobre saúde mental: “Comentários preconceituosos e até de repúdio a pessoas que sofrem de depressão geralmente provêm de pessoas desinformadas, e por intermédio da divulgação e dissemiação de pesquisas como essa, tornando-as acessíveis a população em geral, é que poderemos promover a empatia e minimizar o preconceito”, conclui.

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