28/06 – Orgulho LGBTI+

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A sociedade tenta fazer com que as pessoas LGBTI+ sintam vergonha de quem elas são. O Orgulho é uma resposta a isso. E sim, sentimos orgulho de quem somos.

O Orgulho LGBT, esse com “O” maiúsculo, é conhecido como “Pride”, em inglês, há 49 anos, na resistência à violência contra a população homossexual e não-binária. Em 28 de junho de 1969, a polícia de Nova York faria mais uma batida no famoso bar gay da cidade, o Stonewall Inn. Mas aquela não seria uma noite qualquer de opressão e mudaria para sempre a história do movimento por direitos LGBTI+. Gays, bissexuais, lésbicas e travestis que frequentavam o local resistiram e se rebelaram contra a ação policial. A reação deu início a uma série de protestos pelo fim da discriminação com base em orientação sexual e em identidade de gênero que culminaram na primeira marcha do Orgulho, exatamente um ano depois.

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Homens gays marcham na Quinta Avenida, no 25º aniversário dos Stonewall Riots, em Nova York, EUA, em 26 de junho de 1994.

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Grupo de mulheres caminha na Terceira Parada Anual do Orgulho Lésbico em 24 de junho de 1995, em Nova York.

As pessoas comentam “mas precisa mostrar?” Sim, precisa sim. É preciso mostrar, é preciso dizer. As novelas, os livros, as poesias precisam mostrar, precisam debater e falar sobre a temática LGBTI+ e cada vez mais conquistar espaços maiores quebrando assim a intolerância e dando visibilidade a essas pessoas. As pessoas precisam entender que não pode ter medo ser quem se é. Ser LGBTI+ não precisa mais ser só entre quatro paredes. As pessoas héteros não são héteros só entre quatro paredes, elas se beijam, elas trocam carinho, elas saem com a família. Então é natural que as pessoas que tem afeto pelas pessoas do mesmo sexo também façam isso. Chega de armários.

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Ativistas se beijam na Caminhada das Mulheres Lésbicas e Bissexuais em 2 de junho, em São Paulo.

A partir da famosa revolta de Stonewall, nos Estados Unidos, que surge o moderno movimento homossexual, depois chamado de movimento gay e agora mais recentemente de movimento LGBTI+, que defende basicamente a ideia de que nós não temos vergonha de ser homossexuais ou transexuais. Daí a palavra Orgulho, em inglês, “pride” ou “proud”, como slogan do movimento. Dez anos depois de Stonewall, o Orgulho e a resistência foram fundamentais para que ele participasse, em 1980, da criação do mais antigo grupo de militância LGBT ainda em atividade no Brasil: o Grupo Gay da Bahia.

Quase 50 anos após Stonewall, muita coisa mudou para a população LGBTI+ no mundo, mas ainda há um longo caminho pela frente. O Grupo Gay da Bahia é responsável por dos levantamentos mais importantes sobre violência contra gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans no Brasil. Há 38 anos o grupo monitora no número de assassinatos e suicídios motivados pela LGBTfobia. A pesquisa mais recente mostrou que um LGBTI+ morreu por causa do preconceito a cada 19 horas no país em 2017. Das 445 pessoas mortas no ano passado, 194 eram gays, 191 eram pessoas trans, 43 eram lésbicas e cinco eram bissexuais.

A palavra orgulho tem sido usada para fazer um contraponto, dizendo que mesmo nessa adversidade é importante ter orgulho de ser que é.

O Brasil ainda ostenta o vergonhoso título de país mais violento para pessoas trans. Segundo levantamento da ONG Transgender Europe, foram 868 mortes entre 2008 e junho de 2016. Para se ter uma ideia, no México, o segundo colocado no ranking, foram 257.

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Na 22º edição do evento, em 3 de junho de 2018, a parada reuniu, segundo os organizadores, 3 milhões de pessoas na avenida Paulista.

Na 22º edição do evento, em 3 de junho de 2018, a parada reuniu, segundo os organizadores, 3 milhões de pessoas na avenida Paulista. No calendário do Orgulho da cidade, além da parada, ocorreu a 16ª edição da Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, e, pela primeira vez, a Marcha do Orgulho Trans.

Mas, engana-se quem pensa que a programação pelo país fica restrita ao mês de junho, conhecido como o mês do Orgulho LGBTI+, há diversos eventos, marchas acontecendo ao longo do ano.

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