Ratos astronautas são fundamentais para futura missão a Marte

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Imagem meramente ilustrativa. Imagens dos roedores não foram divulgadas. (Foto: Creative Commons)

Acápsula espacial Dragon, lançada pela SpaceX na sexta-feira (29 de junho), chegou à Estação Espacial Internacional (ISS) na segunda-feira (2 de julho), para deixar diversos novos tripulantes. Além de Cimon, a primeira inteligência artificial robô no espaço, dez pares de ratinhos gêmeos passam a desempenhar um papel fundamental na ambição humana de ir à Marte.

Eles fazem parte de um estudo para ajudar a determinar como o espaço afeta os ritmos circadianos (sistema biológico dos seres vivos) e o microbioma. “Como é esperado que uma viagem a Marte e volta demore vários anos, precisamos determinar como a microbiota intestinal pode ser alterada em gravidade zero em longas escalas de tempo”, disse Fred Turek, diretor do Centro para o Sono e Biologia Circadiana da Northwestern (CSCB).

Os 20 ratos a bordo da ISS, metade dos quais passarão um recorde de 90 dias em órbita, serão complementados por um grupo de controle ligados à Terra que vivem em um simulador altamente especializado da NASA que replica as condições exatas minuto a minuto – mas com gravidade – dentro da Estação Espacial.

O microbioma consiste nos trilhões de microrganismos, principalmente bactérias, que vivem nos humanos. “Desequilíbrios no microbioma têm sido associados a uma série de doenças e condições, de obesidade e diabetes a demência”, diz Turek. Já os ritmos circadianos – ciclos inatos de 24 horas nos seres vivos – influenciam a maioria das funções biológicas. Respostas moleculares, metabólicas, celulares, endócrinas, de estresse e imunológicas são todas reguladas por nosso “relógio” interno.

“É importante entender como as viagens espaciais podem afetar o sistema circadiano, já que coordena muitos processos biológicos”, diz Vitaterna. “O esforço de decolagem, a ausência de gravidade e o arranjo de vida confinado contribuem para o estresse da vida no espaço, e a chave para a adaptação pode estar na capacidade do corpo de manter a harmonia entre os sistemas”.

Será o primeiro projeto a incluir uma comparação lado-a-lado de duas linhagens diferentes de camundongos, um projeto experimental que permitirá aos pesquisadores entender o papel das diferenças genéticas na formação das respostas do corpo à gravidade zero. A equipe de pesquisa também conduzirá três sessões de monitoramento de sono por vídeo de 48 horas.

Humanos e camundongos compartilham muitas características genéticas comuns e, examinando a fisiologia, a anatomia e o metabolismo de um camundongo, os cientistas podem obter informações valiosas sobre como os humanos funcionam. Turek e Vitaterna estão entre as dezenas de investigadores que continuam a estudar os dados do astronauta Scott Kelly e seu irmão gêmeo, Mark, durante a missão histórica de Scott de um ano a bordo da ISS.

“Estamos trabalhando em conjunto com as outras equipes do estudo dos gêmeos para obter uma visão mais completa dos efeitos das missões espaciais longas no corpo humano”, diz Turek. “O que aprendemos será nos ajude a proteger a saúde dos astronautas e também nos ajudará a melhorar a saúde humana na Terra. ”

Os resultados deste estudo gêmeos estão programados para publicação ainda este ano. “Com os gêmeos, só tínhamos dois sujeitos e não podíamos prescrever que eles comem o mesmo, ou vivem estilos de vida semelhantes, enquanto Scott estava no espaço”, diz Vitaterna. “Com este novo projeto, poderemos controlar a dieta e também examinar o fígado, o baço e a gordura para aprender as maneiras pelas quais os componentes individuais afetam uns aos outros”.

Fonte: Revista Galileu

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