Torcedor do México imita macaco

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Raiam postou um vídeo em sua conta de uma rede social do momento em que homem imita macaco. Carioca afirmou que era única pessoa negra do setor e único a ser agredido verbalmente.

Raiam Santos postou vídeo que mostra mexicano fazendo gestos racistas (Foto: Reprodução/ Rede Social)

O escritor carioca Raiam Santos, de 28 anos, disse que sentiu vontade de “sair na mão” com um torcedor do México que fez atos racistas contra ele durante uma partida da Copa do Mundo. No jogo entre as seleções brasileira e mexicana na segunda-feira (2), o homem imitou um macaco para o brasileiro. Raiam Santos gravou o gesto e publicou em sua conta de uma rede social.

“Eu tive vontade de pular ali e sair na mão com ele, mas eu tive que ser frio e calculista. A dor que o cara vai sentir vai durar só meia hora. Eu preferi usar o poder das redes sociais para mostrar o que ele fez de errado. De todos os brasileiros que estavam na seção, ele resolveu menosprezar o único negro”, disse o escritor.

Segundo Raiam, as provocações entre as torcidas começaram já nos primeiros minutos da partida. Apesar disso, o clima era de descontração entre o público. Depois do episódio, um amigo do mexicano pediu desculpas e o homem tentou “apaziguar” a situação.

“Eu estava provocando como qualquer torcedor de estádio, de sangue quente, como a gente fez durante o jogo inteiro. Eu mandei o pessoal para a Vila do Chaves ou cheirar cocaína no México. Mas esse cara específico foi diferente. Ele fez sinal de macaco e apontou para mim. Eu peguei o celular rápido e gravei. Toda a torcida estava provocando, mas a atitude dele foi séria”, contou.

“A gente continuou discutindo e o amigo dele veio se desculpar. Eu falei ‘você mexeu com o negro errado’ porque eu ia botar na internet. Ele tentou apaziguar, pediu para tirar foto comigo e eu disse que não queria papo”.

A motivação da injúria, segundo Raiam, foi que o brasileiro teria se voltado para a torcida adversária e gritado “respeita as 5 estrelas”, fazendo uma alusão aos cinco títulos mundiais do Brasil.

“Eu estava com ingresso de categoria 1, que eu paguei quase 400 dólares. Aparentemente, eram as pessoas mais ricas, mais educadas do estádio. Eu era o único negro da área. Estava tendo uma tensão porque os mexicanos estavam gritando ‘olé’ mesmo com o jogo em 0 a 0. Eles sempre falavam do 7 a 1, mas é coisa normal de estádio. Quando o Brasil fez o segundo gol, tudo aconteceu. Eu apontei para as 5 estrelas da minha camisa e falei para toda torcida mexicana: respeita as 5 estrelas”.

Vivência na Rússia

Há 20 dias na Rússia para acompanhar a Copa do Mundo de 2018, Raiam disse que esta foi a primeira vez que passou por uma situação de constrangimento. De acordo com ele, sua estadia no país está sendo ótima e sem qualquer problema em relação a racismo.

“As pessoas aqui na Rússia são extremamente solidárias, eu senti que o coração delas é muito bom. Elas são muito gente boa, prestativas e com coração aberto. Estou há 20 dias, não sofri um ‘pingo’ de racismo. Eu fui tratado ‘extra bem’. E esse racismo [do mexicano] não traduz o posicionamento da Rússia e do México. Foi um cara só, foi um infeliz. Eu levo os mexicanos no meu coração”, disse.

O escritor disse ainda que não quer ser tratado como vítima por causa do episódio. Ele disse que decidiu publicar na internet o caso para que essas ações não se repitam.

“Eu não sou vítima. Eu levo racismo na esportiva, meu pai sempre disse que para combater o racismo eu tinha que ser o melhor de mim. Eu nunca levantei a bandeira de que eu sou coitadinho. Quando isso acontece, eu viro a cara e continuo em frente. Não quero me promover como uma vítima de racismo, estou usando a situação para que ele se arrependa e outras pessoas pensem antes de ter a mesma atitude”, disse.

Fonte: G1

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