Seminário no Henfil marca integração do poder público para desenvolvimento econômico de Maricá

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Secretários Diego Zeidan e Rita Rocha na cerimônia de assinatura do convênio de Locação Social – Foto: Elsson Campos

O Cineteatro Henfil, no Centro, recebeu nesta quinta-feira (27/09) o seminário “Banco Mumbuca: uma estratégia para o desenvolvimento econômico solidário de Maricá”. Promovido pelo Banco Comunitário Popular de Maricá (Banco Mumbuca), por meio da Secretaria de Economia Solidária, o evento reuniu a população e alguns setores do governo municipal com o intuito de explicar o funcionamento do banco, as suas potencialidades, a fim de desenvolver políticas públicas do município, e a sua capacidade de impulsionar a economia local.

Além de expor as atividades exercidas pelo banco comunitário, o evento serviu ainda para firmar compromissos com duas pastas: a Secretaria de Habitação e Assentamentos Humanos e a Secretaria de Trabalho. A primeira está voltada aos Programas de Locação Social e Melhoria Social, dos quais serão financiados em parceria com o Banco Mumbuca.

“Nós tivemos conversando sobre as possibilidades de utilização do Banco Mumbuca como política social para além do Programa Renda Mínima e estender aos programas da Secretaria de Habitação e Assentamentos Humanos. Que possamos garantir a melhoria da qualidade de moradia dessas famílias que são muito carentes, e que o governo possa atuar em outras esferas para que elas saiam da condição de vulnerabilidade social”, afirmou a secretária da pasta, Rita Rocha.

Já com a Secretaria de Trabalho foi firmado um convênio para liberar R$ 10 mil de um total de R$ 40 mil de créditos para a cooperativa de costureiras Ubuntu. O montante será destinado à compra de materiais como tecidos, agulhas e equipamentos como máquinas de corte e costura, reta, de três fios, entre outros instrumentos. “Os integrantes da cooperativa estão demandando alguns serviços, mas são pessoas que têm renda baixa e algumas nem têm renda e nem condições de comprar a matéria-prima para fazer os seus serviços. Isso dá o pontapé inicial para que eles possam começar a produção. Em pequena escala, mas aos poucos vai ampliando”, relatou o secretário de Trabalho, Reginaldo Mendes.

Anfitrião do evento, o secretário de Economia Solidária, Diego Zeidan sinalizou a importância do seminário para esclarecer à população o funcionamento do Banco Mumbuca. “O Banco Mumbuca é um exemplo de política pública para todo o Brasil, pois é o único banco comunitário do país que é apoiado pela prefeitura. É o único lugar do Brasil em que o banco não tem dificuldade de diálogo com a órgão público para capitação de verba. Isso é importante porque ajuda a estimular a economia da cidade, ajuda Maricá a ter um banco próprio em que os dividendos e os lucros ficam para a cidade e não vão para fora do município”, avaliou.

Diretor do Instituto Banco Periferia, responsável pela gestão do Banco Comunitário Popular, Joaquim Melo considerou proveitoso o seminário, uma vez que mostra todos os serviços e produtos que podem ser adquiridos pela população. “Reforçamos muito a ideia de quando a pessoa compra utilizando o Banco Mumbuca, que é aberto a qualquer pessoa de Maricá, 2% do valor de todas as compras voltam ao Banco Mumbuca e faz crédito a juro 0 para os pequenos produtores do município. Muita gente ainda pensa que o Banco Mumbuca é só para pagar o benefício social da prefeitura e ele é muito mais do que isso”, ressaltou.

Não só o poder público municipal assinou convênio com o Banco Comunitário. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da COPE, firmou formalmente o compromisso em oferecer o trabalho de monitoração e observação, e propor novas possibilidades, correção de rumos, de rotas e concepção de novos serviços que o banco pode oferecer, o que já vem acontecendo entre as entidades há cerca de três anos.

“O que temos é aprender com o que a experiência do Mumbuca tem a nos trazer a respeito dessas possibilidades das finanças solidárias. Esse é um caminho muito promissor de políticas públicas para o Brasil. A questão do Mumbuca é que aqui é uma política pública. Creio que as moedas sociais são excelentes para colocar em prática políticas públicas de distribuição de renda, de inclusão bancária, de microcrédito, enfim”, disse o professor do programa da COPE, Henrique Cukierman.

Doutorando da UFRJ, o engenheiro de telecomunicações e analista de sistemas Luis Arthur Silva de Farias se espelhou no que já acontece em Maricá para aprofundar o estudo sobre a implementação da moeda social por meio do cartão magnético. “Eu diria que hoje no Brasil, em Maricá, é onde a forma de moeda social tem um arcabouço legal mais estável, pois se enquadra nas legislações de pagamentos eletrônicos que são fiscalizados pelo Banco Central. As outras moedas sociais existentes no país ainda não têm esse arcabouço jurídico tão estável assim. Isso é uma inovação social”, contou o doutorando.

No Banco Mumbuca é possível abrir conta digital, fazer folha de pagamento, pagamento de benefícios, serviços financeiros para a Prefeitura, gestão de pagamentos para frota, antecipação de recebíveis, entre outros diversos serviços oferecidos.

O cantor Ronaldo Valentin abriu o evento que contou com a presença dos secretários Fillipe Dias Bittencourt (Esporte e Lazer), Sérgio Mesquita (Comunicação, Ciência e Tecnologia), Luiz Carlos dos Santos (Proteção e Defesa Civil), Júlio Carolino (Agricultura, Pecuária e Pesca), Alan Novais (Desenvolvimento Econômico), Adyr da Motta Filho (Urbanismo), além dos funcionários do governo municipal e dos membros da cooperativa Ubuntu. 

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