Se você passou pelas redes nas últimas semanas, provavelmente ouviu alguma frase icônica da versão brasileira de God of War que viralizou em 2026. O tom mais contido de Kratos, misturado a falas dramáticas, transformou a antiga fandublagem em um fenômeno entre gamers.
Mas por trás do meme existe uma trajetória que começou bem antes dos vídeos curtos.
Quem é a voz do Kratos?
O responsável por dar voz ao personagem foi J. Junior, morador do interior de São Paulo e integrante da antiga STR Brasil (Sistema de Tradução Radical). O grupo nasceu no fim dos anos 90 com um objetivo simples: adaptar jogos para o português brasileiro quando isso ainda era raridade.
O primeiro grande contato com modificações veio com Legacy of Kain: Soul Reaver. A partir daí, o time mergulhou em projetos ambiciosos, como versões adaptadas de Silent Hill e Resident Evil.
A dublagem de God of War começou anos depois, ganhou uma demo em 2013 e só foi finalizada oficialmente em 2018 — depois de enfrentar até problemas técnicos que quase apagaram o projeto.

Um estúdio improvisado e familiar
A produção era totalmente independente. Junior gravava boa parte das vozes masculinas, enquanto amigos e familiares ajudavam quando possível. Um detalhe curioso: a mãe dele, Terezinha, também participou das dublagens, emprestando a voz para personagens como Gaia.
Hoje, aos 75 anos, ela não grava mais, mas acompanha o reconhecimento do trabalho do filho nas redes.
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Por que o Kratos fala “baixo”?
Diferente do personagem original, conhecido pelos gritos intensos, a versão brasileira ficou marcada pelo tom mais controlado. O motivo é simples: as gravações eram feitas à noite, e Junior não podia gritar para não acordar a casa inteira.
A ideia era ajustar tudo na edição, mas o resultado final manteve essa característica única — que acabou virando marca registrada da versão brasileira.
É legal jogar essa versão?
A STR sempre distribuiu o conteúdo por meio de patches, que só funcionam com o jogo original. Ou seja, o grupo nunca comercializou cópias modificadas e reforça que o trabalho sempre foi feito de fã para fã.
Com o passar dos anos, a indústria mudou e grandes títulos passaram a contar com dublagem oficial em português. Ainda assim, o grupo mantém uma comunidade ativa e promete novidades para fãs de jogos clássicos.
Curiosamente, Legacy of Kain: Defiance, sonho antigo de Junior, ganhará uma versão remasterizada com localização em português.
O “Kratos brasileiro” pode ter nascido de forma improvisada, mas virou parte da cultura gamer nacional.
Você já jogou essa versão dublada? Acha que as fandublagens ajudaram a fortalecer o mercado de games no Brasil? Se curtiu a história, compartilhe com os amigos e continue acompanhando nossas matérias.




