Uma pesquisa com 2,7 milhões de pessoas na Suécia aponta que a diferença nos diagnósticos de autismo entre homens e mulheres praticamente desaparece após os 20 anos de idade. O estudo foi publicado pelo The BMJ e contraria a percepção de que o transtorno do espectro autista (TEA) afeta predominantemente o sexo masculino.
A investigação acompanhou crianças nascidas entre 1985 e 2020 e analisou registros clínicos até 2022. Do total avaliado, cerca de 2,8% receberam diagnóstico de autismo.
📊 Diferença diminui na vida adulta
Durante a infância, os meninos apresentam taxas de diagnóstico significativamente mais altas. No entanto, segundo os pesquisadores, essa disparidade vai diminuindo ao longo do tempo.

Ao atingir 20 anos, homens e mulheres apresentam probabilidade quase idêntica de receber diagnóstico.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Lund (Suécia), aproveitando os extensos registros nacionais de saúde do país, que permitem acompanhar grandes populações por décadas.
🧠 Por que mulheres são diagnosticadas mais tarde?
Especialistas apontam possíveis vieses históricos nos critérios clínicos.
Entre as hipóteses discutidas:
- Meninas podem apresentar sinais diferentes do padrão tradicionalmente descrito
- Maior capacidade de “mascarar” dificuldades sociais
- Diagnósticos iniciais equivocados, como ansiedade ou TDAH
Esse atraso pode dificultar o acesso a suporte adequado na infância e adolescência.
🗣️ Avaliação de especialistas
O psiquiatra David Mandell classificou o estudo como consistente e bem estruturado, destacando o grande volume de dados e o longo período analisado.
Já a neurocientista Gina Rippon considerou os resultados “poderosos” e observou que, por se basear em diagnósticos clínicos, o levantamento pode até subestimar a real incidência entre mulheres.
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🔎 O que o estudo muda no debate?
A principal implicação é a revisão da ideia de que o autismo seria “naturalmente” mais frequente em homens.
Os dados sugerem que parte da diferença pode estar ligada a:
- Critérios diagnósticos historicamente centrados em meninos
- Barreiras no reconhecimento de sinais em meninas
- Falta de atualização de protocolos clínicos
A discussão ganha peso especialmente no contexto de maior conscientização sobre diversidade no espectro autista.




