Imagina uma fake news tão poderosa que conseguiu mudar uma regra nacional, bagunçar o mercado e ainda dar espaço para o crime organizado ganhar bilhões? Pois foi isso que aconteceu no Brasil, segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.
Na quinta-feira (28), ele afirmou que a narrativa de uma suposta “taxação do Pix” — que viralizou nas redes sociais no ano passado — foi o “maior ataque de mentiras da história da Receita”. O resultado? A revogação de uma norma que ampliava a fiscalização de movimentações financeiras em fintechs e, na prática, abriu espaço para esquemas pesados de lavagem de dinheiro.
Esquemas bilionários na mira
As investigações revelaram que cerca de 1.000 postos de combustíveis em dez estados movimentaram mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 usando fintechs como “bancos paralelos” para esconder dinheiro ilícito. A bomba veio à tona nas operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, realizadas em parceria entre Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público e Agência Nacional do Petróleo (ANP).
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Os esquemas estavam ligados ao PCC, um dos maiores grupos criminosos da América Latina. Ou seja, a desinformação não só confundiu a população, como acabou fortalecendo diretamente o crime organizado.
O que dizia a norma derrubada
Publicada em setembro de 2024, a instrução normativa previa que fintechs tivessem as mesmas obrigações de transparência que bancos já cumprem há mais de 20 anos.
Entre os pontos principais:
- Pessoas físicas teriam que reportar movimentações acima de R$ 5 mil por mês.
- Pessoas jurídicas, acima de R$ 15 mil por mês.
O objetivo era claro: aumentar a segurança do sistema de pagamentos e evitar lavagem de dinheiro. Mas a pressão das fake news levou à sua revogação antes mesmo de entrar em vigor.
“Quem ganhou com isso foi o crime”
Durante coletiva, Barreirinhas foi direto:
“As mentiras foram tão fortes que não conseguimos reverter. Tivemos que dar um passo atrás e revogar a instrução. E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras: o crime organizado”.
Ele também defendeu que o debate volte à mesa: “Precisamos discutir novamente a regulamentação das fintechs para garantir transparência. Do jeito que está, o sistema continua vulnerável”.
O impacto no dia a dia
Além de facilitar os esquemas de lavagem, a onda de fake news gerou desconfiança no Pix, sistema que hoje é a principal forma de pagamento no Brasil. Barreirinhas afirmou que até a adesão da população caiu em certos momentos, já que muitos acreditaram que haveria cobrança extra.
👉 Esse caso é um exemplo de como fake news não são só “brincadeira de internet”: elas podem mexer com a economia, abalar a confiança em ferramentas que usamos no dia a dia e até dar munição para o crime.