A manhã desta quarta-feira (19) começou quente na Zona Oeste do Rio. As Polícias Civil e Militar acionaram mais uma fase da Operação Contenção para travar o avanço territorial do Comando Vermelho na região — especialmente na Vila Kennedy. O saldo parcial: duas pessoas mortas, duas baleadas e 16 suspeitos presos.
Segundo as forças de segurança, as equipes foram recebidas a tiros logo na chegada à comunidade e revidaram. Durante o cerco, um grupo tentou fugir pela Avenida Brasil, em Realengo, mas acabou interceptado. Ainda de acordo com a PM, os suspeitos ignoraram a ordem de parada e atiraram contra os agentes. Houve confronto: dois morreram no local, e outros dois foram levados ao Hospital Municipal Albert Schweitzer.
Com eles, a polícia apreendeu dois fuzis e uma pistola. A inteligência da corporação afirma que os quatro eram traficantes da Vila Kennedy e tentavam alcançar os complexos do Alemão e da Penha para escapar da ação.
Mandados, buscas e um bunker na escola
A operação mira 40 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho. No meio das buscas, policiais encontraram drogas escondidas dentro da Escola Municipal Joaquim Edson de Camargo. Segundo a polícia, é mais uma evidência do uso de unidades escolares como “bunker” do tráfico. Também foram apreendidos rádio transmissor e caderno de anotações — o material ainda está sendo contabilizado.
Drones, grupos organizados e expansão armada
A investigação, que durou meses, aponta um esquema consolidado de controle territorial e bélico na Vila Kennedy. A comunidade funcionava como base estratégica para ofensivas nos bairros de Bangu (Catiri), Campo Grande (Carobinha) e Largo do Corrêa.
Os agentes identificaram cerca de 50 criminosos envolvidos em tráfico, ataques intercomunidades, extorsão, logística armada e domínio territorial.
Outro ponto que chamou atenção: o CV usa drones não só para vigiar a polícia, mas também para planejar ataques e gravar imagens divulgadas nas redes como forma de propaganda e intimidação. Além disso, grupos de mensagens eram usados para coordenar as investidas armadas.
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Participam da operação: 34ª DP (Bangu), DRE-CAP, DRFA-CAP, Core, e COE da PM.
O objetivo imediato é “neutralizar” os alvos, e o estratégico, desmantelar o braço financeiro e operacional da facção na região.
Impactos no dia a dia: ônibus desviados e escolas afetadas
Por causa da operação, a Rio Ônibus informou que 25 linhas precisaram alterar temporariamente seus trajetos na Vila Kennedy para proteger passageiros e rodoviários.
A PM também reforçou o patrulhamento no entorno com equipes do 14º BPM (Bangu) e do BPVE, para reduzir os transtornos à população.
Na rede pública, 16 escolas foram impactadas.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que duas unidades da região tiveram o atendimento afetado — uma precisou suspender o funcionamento e outra avalia reabrir ainda hoje.




