Operação identificou grupo que atuava em nove países; quatro suspeitos estão presos no Brasil
Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema internacional em que mulheres eram dopadas com medicamentos de uso controlado e se tornavam vítimas de crimes registrados em vídeo. Segundo as autoridades, o material era comercializado pela internet e em aplicativos de mensagens.
As investigações começaram após um alerta da Europol, agência de cooperação policial da União Europeia. Inicialmente, a polícia da Alemanha identificou a atuação do grupo e constatou que ele operava em pelo menos nove países, incluindo o Brasil.
Manual ensinava como dopar as vítimas
De acordo com a Polícia Federal, um brasileiro apontado como integrante da liderança do grupo teria elaborado um manual com orientações sobre quais medicamentos utilizar e como administrá-los para potencializar os efeitos nas vítimas.
O suspeito foi preso em fevereiro e também é investigado por crimes cometidos contra pessoas da própria família. A partir das conversas encontradas em seus aparelhos, os investigadores chegaram a outros envolvidos.
Vítimas relataram apagões de memória
Em depoimentos à polícia, mulheres contaram que sofriam apagões de memória após consumirem pequenas quantidades de bebida alcoólica, sem imaginar que estariam ingerindo medicamentos misturados às bebidas.
Segundo a investigação, os suspeitos aproveitavam a perda de consciência das vítimas para cometer os crimes. Em seguida, os abusos eram gravados e vendidos em plataformas online.
As autoridades também encontraram mensagens em que integrantes do grupo discutiam quais remédios usar, além de orientações para triturar comprimidos e misturá-los em bebidas sem levantar suspeitas.
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Suspeito confessou o crime
Nesta semana, o marido de uma das vítimas foi preso e confessou, em depoimento, que dopava a companheira utilizando medicamentos triturados misturados em água.
A Polícia Federal também identificou conversas sobre a venda dos vídeos, que eram anunciados por valores a partir de R$ 59.
Investigação continua
Até o momento, cinco homens foram identificados pela investigação. Quatro permanecem presos e um responde ao processo em liberdade. Os suspeitos são dos estados do Pará, Ceará, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul.
A Polícia Federal segue investigando a possível participação de outras pessoas no esquema e reforça que, em muitos casos, as vítimas eram atacadas por indivíduos de sua confiança, o que dificultava a percepção dos crimes.
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