Especialistas alertam para a importância do acompanhamento profissional e do apoio de familiares e amigos durante o período de luto
A perda gestacional pode ser uma experiência emocionalmente difícil e, muitas vezes, o impacto psicológico acaba sendo pouco compreendido por quem está ao redor. Especialistas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) chamam atenção para a necessidade de oferecer acolhimento e acompanhamento adequado às mulheres que passam por essa situação.
O tema ganha destaque durante o Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Para profissionais da área, reconhecer o sofrimento causado pela perda é um passo importante para evitar que a mulher enfrente esse momento sem apoio.
Um luto que precisa ser respeitado
A perda gestacional pode acontecer em diferentes fases da gravidez e provocar sentimentos como tristeza, vazio, ansiedade, culpa, irritabilidade e dificuldade para retomar a rotina.
O obstetra Romulo Negrini, da Febrasgo, explica que essas reações podem fazer parte do processo de luto e não significam necessariamente a existência de um transtorno psicológico.
Por isso, familiares e amigos têm papel importante nesse período. Comentários que tratam uma nova gravidez como uma forma de “substituir” a perda podem acabar desconsiderando os sentimentos vividos pela mulher.
Apoio profissional faz diferença
De acordo com especialistas, o acompanhamento deve envolver profissionais de saúde, além da rede de apoio formada por familiares e amigos.
O obstetra Eduardo Felix Martins Santana destaca que a mulher pode passar por diferentes fases emocionais depois da perda e que o acolhimento deve estar presente durante todo esse processo.
Além dos aspectos emocionais, também podem ocorrer alterações hormonais após o fim da gestação. A psiquiatra Andréa Cristina Galastri explica que essas mudanças podem contribuir para uma maior sensibilidade emocional durante o período.
Quando procurar ajuda?
Sentir tristeza após uma perda é uma reação esperada. No entanto, quando o sofrimento se prolonga e começa a prejudicar significativamente a rotina, o sono, a alimentação ou outras atividades do dia a dia, é importante procurar avaliação profissional.
Nesses casos, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde podem avaliar a situação e indicar o acompanhamento mais adequado.
O cuidado não deve esperar que o sofrimento se torne intenso. Buscar ajuda também faz parte do processo de recuperação.
Rede de apoio ajuda no processo
Além do atendimento profissional, conversar com pessoas que passaram por experiências semelhantes pode ajudar algumas mulheres a se sentirem compreendidas.
Foi dessa necessidade que Kalyane Ribeiro criou uma comunidade nas redes sociais voltada para mulheres que passaram por perdas gestacionais. A experiência também deu origem ao livro Ainda me Sinto Mãe, que reúne textos sobre o luto e as experiências vividas por diferentes mulheres.
Para ela, encontrar pessoas dispostas a ouvir pode fazer diferença durante um período em que muitas mulheres sentem que não encontram espaço para falar sobre o que estão vivendo.
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Onde procurar atendimento
Quem estiver enfrentando sofrimento emocional pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, equipe de Saúde da Família, CAPS ou outros serviços de saúde para receber orientação e atendimento.
Em situações de emergência, também é possível procurar uma UPA, pronto-socorro ou hospital, além de acionar o SAMU pelo 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.
O mais importante é não enfrentar o sofrimento sozinho. A perda gestacional merece ser reconhecida e acolhida, independentemente do período em que a gravidez foi interrompida.
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