Casos em Minnesota e Oregon reacendem debate sobre repressão migratória e atuação federal
Dois tiroteios envolvendo agentes federais de imigração em menos de 48 horas voltaram a colocar os Estados Unidos no centro de um debate explosivo sobre segurança, imigração e abuso de autoridade. Os episódios aconteceram em Minnesota e Oregon, ambos em cidades governadas por democratas, e geraram versões conflitantes entre autoridades estaduais e o governo federal.
Protestos após morte de mulher em Minnesota
Em Minneapolis, a morte de Renee Nichole Good, de 37 anos, provocou protestos intensos ao longo da semana. A mulher, cidadã americana e mãe, foi baleada por um agente do ICE (Departamento de Imigração e Alfândega) na quarta-feira (7).
Segundo o governo federal, ela teria tentado atropelar o agente com o carro. Já ativistas e defensores da vítima afirmam que imagens de vídeo indicam que ela tentou desviar, e não avançar contra o policial.
A situação gerou forte reação popular. Centenas de manifestantes foram às ruas gritando palavras como “vergonha” e “assassinato”, direcionadas a agentes federais armados e mascarados.
“Estamos vivendo um momento decisivo. As coisas precisam mudar”, disse Rachel Hoppei, de 52 anos, durante um protesto em Minneapolis.
Guarda Nacional em alerta e investigação travada
Diante do risco de distúrbios civis, o governador de Minnesota, Tim Walz, colocou a Guarda Nacional em estado de alerta.
Autoridades estaduais também denunciaram que foram excluídas da investigação federal, sem acesso a provas, depoimentos ou registros da cena do crime.
A secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem, afirmou que o estado não tem jurisdição sobre o caso. Como resposta, o Departamento de Investigação Criminal de Minnesota anunciou sua retirada oficial da apuração.
Novo tiroteio no Oregon deixa dois feridos
Um dia depois, na quinta-feira (8), um novo episódio ocorreu em Portland, no Oregon. Um agente da Patrulha de Fronteira dos EUA atirou contra um homem e uma mulher, que foram encontrados feridos cerca de três quilômetros do local inicial e levados ao hospital.
O DHS afirmou que o motorista do veículo, suspeito de ligação com uma gangue venezuelana, teria tentado usar o carro como arma contra os agentes. Segundo a versão federal, o disparo foi “defensivo”.
Siga o Jovem na Mídia nas redes sociais do Instagram, Facebook e Tiktok para não perder nada!
Já a polícia local afirmou que não pode confirmar a narrativa apresentada pelo governo federal, reforçando o clima de desconfiança.
Conflito político e críticas à gestão Trump
Os dois casos ocorrem em meio à repressão migratória intensificada pelo governo Trump, que enviou cerca de 2 mil agentes federais para a região de Minneapolis, numa ação classificada como a maior operação do DHS até hoje.
Prefeitos e governadores democratas acusam o governo federal de provocar tensão deliberadamente, enquanto ativistas de direitos civis denunciam operações agressivas e intimidatórias.
“Quando um presidente governa pelo medo e pelo ódio, em vez de valores compartilhados, cria um ambiente de ilegalidade”, afirmou a governadora do Oregon, Tina Kotek.
Debate sobre uso da força e versões contraditórias
Autoridades federais alegam que há uma tendência crescente de suspeitos e ativistas usarem veículos como armas. No entanto, vídeos e relatos independentes frequentemente colocam essas versões em xeque, aumentando a pressão por transparência.
Enquanto isso, comunidades afetadas dizem se sentir invadidas e ameaçadas, e o embate entre estados e o governo federal segue se aprofundando.




