Caso do Will Bank reacende debate e levanta dúvidas entre clientes de bancos digitais
A liquidação extrajudicial do Will Bank, anunciada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), acendeu um alerta em quem usa bancos digitais. Nas redes sociais e nos buscadores, muita gente passou a questionar se esse tipo de instituição é mesmo confiável ou se pode “sumir do nada”. Mas será que o medo faz sentido?
Para esclarecer o cenário, o TechTudo ouviu Marcello Marin, contador, administrador e mestre em Governança Corporativa, que explica o que realmente define a segurança de um banco — seja ele digital ou tradicional.
Bancos digitais são mais frágeis?
Segundo o especialista, a resposta curta é: não necessariamente. O formato digital não é o fator decisivo para medir riscos. O que pesa de verdade é a forma como a instituição administra seu dinheiro, controla riscos e mantém uma governança sólida.
Para Marin, existem bancos digitais muito bem estruturados e, ao mesmo tempo, bancos tradicionais com sérios problemas de gestão. O modelo digital reduz custos, mas exige disciplina financeira. Quando essa disciplina falha, os problemas aparecem.
O que define um banco sólido hoje
Crescimento rápido não é sinônimo de segurança. De acordo com o especialista, um banco saudável é aquele que cresce com controle, mantendo capital adequado, boa gestão de risco, liquidez, receitas diversificadas e governança séria.
Além disso, transparência e respeito às regras do Banco Central fazem toda a diferença para separar instituições sustentáveis daquelas que apenas aumentam a base de clientes sem estrutura.
O papel do Banco Central
Mesmo sem aparecer muito para o público, o Banco Central atua como um verdadeiro guardião do sistema financeiro. Ele fiscaliza instituições, exige capital mínimo e acompanha indicadores de risco de forma constante.
Quando identifica problemas, pode intervir antes que a situação vire uma crise maior, evitando um efeito dominó que prejudique clientes e o mercado. Muitas dessas ações acontecem antes mesmo de o consumidor perceber que algo estava errado.
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Antes de entrar em pânico, o que o cliente deve checar
Em momentos de incerteza, sair correndo para sacar dinheiro ou fechar a conta pode não ser a melhor decisão. Marin orienta que o consumidor verifique dois pontos essenciais:
- Se o banco é autorizado e supervisionado pelo Banco Central
- Se o valor depositado está dentro do limite protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
Ele também alerta para o risco de decisões baseadas em boatos e informações que circulam nas redes sociais, que costumam gerar mais prejuízo do que solução.
Sinais que merecem atenção
Nem toda notícia negativa significa risco imediato, mas alguns comportamentos devem ligar o alerta. Mudanças repentinas nas regras, restrições frequentes de saque, atrasos incomuns e comunicação confusa são sinais de que algo pode não ir bem.
Para o especialista, a transparência é um termômetro importante: bancos saudáveis explicam, comunicam e se antecipam. O silêncio, sim, é motivo de preocupação.
Digital ou tradicional? Esse não é o ponto
No fim das contas, o rótulo importa menos do que a prática. Um banco pode ser digital ou físico e ainda assim enfrentar problemas se não tiver boa governança e gestão responsável do capital.
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