A cepa Andes do Hantavirose voltou ao centro das atenções após um surto associado ao navio de cruzeiro “Hondius”. Diferente de outras variantes do vírus, ela pode ser transmitida entre pessoas — algo considerado raro por especialistas.
A cepa circula há décadas na Patagônia da Argentina e do Chile e tem como principal transmissor o rato-de-cauda-longa, um roedor silvestre que espalha o vírus por meio da saliva, urina e fezes.
Segundo cientistas argentinos, fatores ambientais podem influenciar o aumento de casos. Chuvas intensas ligadas ao fenômeno El Niño favoreceram o crescimento da vegetação e aumentaram a oferta de alimento para os roedores, ampliando as chances de contato com humanos.

Apesar disso, especialistas afirmam que a transmissão entre pessoas continua sendo incomum. O epidemiologista Rodrigo Bustamante explicou que o contágio humano geralmente exige contato próximo, inferior a um metro, por cerca de 30 minutos.
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Os pesquisadores também descartam, até o momento, uma mutação recente que tenha tornado o vírus mais transmissível. De acordo com a infectologista María Ester Lázaro, o vírus Andes é considerado relativamente estável em comparação com vírus respiratórios como covid-19 e gripe.
Outro desafio é a dificuldade de estudar a doença. Os sintomas iniciais podem parecer uma gripe comum, mas o quadro pode piorar rapidamente em poucos dias, levando pacientes à insuficiência respiratória grave.
Dados recentes mostram aumento dos casos na Argentina. Na atual campanha epidemiológica, o país registrou 102 casos de diferentes cepas de hantavírus, quase o dobro do período anterior, quando foram contabilizados 57 casos.




