Estudo encontra material genético em obra do século XV, mas ainda não confirma ligação direta com o gênio renascentista
Um esboço feito há mais de 500 anos voltou ao centro das atenções — agora, por causa da ciência. Pesquisadores identificaram DNA humano masculino em um desenho a giz vermelho possivelmente criado por Leonardo da Vinci. O achado é promissor, mas ainda não permite afirmar com certeza que o material genético pertence ao artista italiano.
A análise foi feita na obra conhecida como Holy Child, um desenho da cabeça de um menino produzido na década de 1470 e hoje mantido em uma coleção particular em Nova York. O DNA encontrado pertence a uma linhagem associada à Toscana, região onde Leonardo nasceu, em 1452.

A descoberta faz parte do Projeto DNA de Leonardo da Vinci, uma iniciativa internacional criada em 2016 que busca usar genética para ajudar na autenticação de obras e compreender aspectos biológicos ligados ao talento do artista.
As pesquisas também passaram por Amboise, na França, onde Leonardo viveu seus últimos anos e está sepultado. Lá, os cientistas localizaram DNA da mesma linhagem em uma carta escrita por um parente próximo do pintor, o que reforça — mas ainda não comprova — a conexão.
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Apesar do avanço, os desafios são muitos. Os restos mortais de Leonardo podem ter sido perdidos ou misturados após danos causados durante a Revolução Francesa. Além disso, ele não deixou descendentes diretos, e os túmulos de seus pais não puderam ser analisados, dificultando comparações genéticas.
Outro ponto de cautela é que o DNA extraído é extremamente limitado, e não há confirmação da idade do material genético. Para complicar, parte dos especialistas questiona se Holy Child é realmente uma obra de Leonardo ou de algum de seus discípulos.
Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que o caminho está aberto. Como Leonardo costumava usar os dedos junto aos pincéis, existe a possibilidade real de que células da pele tenham ficado preservadas em suas obras.




