Estudo da Fundação do Câncer mostra que o tumor pode atingir olhos e mucosas e reforça importância do diagnóstico precoce
Quando se fala em melanoma, é comum associar a doença imediatamente ao câncer de pele. Porém, esse tipo de tumor também pode aparecer em outras partes do corpo. Um estudo da Fundação do Câncer chama atenção para os chamados melanomas extracutâneos, que podem atingir principalmente os olhos, mucosas e alguns órgãos internos.
O levantamento faz parte da 12ª edição do boletim “Análises e Tendências em Câncer”, que nesta edição tem como tema “Melanoma: nem sempre na pele”. A publicação reúne dados de registros hospitalares e busca contribuir para a prevenção, o diagnóstico precoce e o planejamento da assistência oncológica no país.
Melanoma pode aparecer em diferentes regiões
O melanoma surge a partir dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Apesar de ser menos frequente fora da pele, esse tipo de câncer pode apresentar comportamento mais agressivo e maior risco de disseminação.
Entre 1990 e 2021, o estudo identificou 1.324 casos de melanoma extracutâneo no Brasil. Desse total, 75% tiveram o olho como localização primária, enquanto 12,8% atingiram órgãos genitais e 8,2% o sistema digestório.
Entre os 993 casos de melanoma ocular analisados, 55% ocorreram em mulheres e 45% em homens.
Sintomas podem passar despercebidos
Uma das dificuldades apontadas pelo estudo é que o melanoma ocular pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Em alguns casos, a doença acaba sendo identificada durante exames de rotina.
Quando aparecem, os sinais podem incluir visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda de visão. Por serem sintomas que podem estar relacionados a diferentes condições, a avaliação médica é importante para identificar a causa.
O diagnóstico precoce é considerado um dos principais fatores para aumentar as possibilidades de tratamento e controle da doença.
E o melanoma de pele?
Embora seja menos comum que outros tipos de câncer de pele, o melanoma cutâneo merece atenção por seu potencial de disseminação.
Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 casos novos de melanoma de pele no Brasil. As mulheres representaram 51,3% dos casos, enquanto os homens corresponderam a 48,7%.
As regiões do corpo com maior número de registros foram o tronco (22,4%), os membros inferiores (19,1%) e os membros superiores (13,8%).
A exposição à radiação ultravioleta (UV) é um dos principais fatores de risco para o câncer de pele. O risco também varia de acordo com características individuais, como o tipo de pele e a intensidade e frequência da exposição solar.
Tratamento avançou nos últimos anos
De acordo com o estudo, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele no Brasil entre 2014 e 2023, correspondendo a 84,7% dos procedimentos registrados.
Para casos avançados, os tratamentos também passaram por mudanças importantes. Medicamentos de imunoterapia, como nivolumabe e pembrolizumabe, passaram a fazer parte das opções disponíveis, incluindo sua incorporação ao SUS para determinados casos de melanoma metastático.
Especialistas destacam que essas novas terapias aumentaram as respostas ao tratamento em pacientes com doença avançada. Porém, o acesso ainda enfrenta desafios, principalmente devido ao alto custo dos medicamentos e à necessidade de ampliar a disponibilidade da assistência especializada.
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Dados ajudam a orientar o combate ao câncer
O levantamento da Fundação do Câncer reforça que enfrentar o melanoma depende de uma combinação de fatores: prevenção, identificação precoce, tratamento adequado e acesso aos serviços de saúde.
Em 2023, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registrou 2.047 mortes por melanoma de pele, sendo 1.176 entre homens e 871 entre mulheres.
Para 2026, o Inca estima 9.360 novos casos de melanoma de pele no país. Os dados fazem parte das estimativas para o período de 2026 a 2028 e ajudam a orientar o planejamento das políticas públicas de saúde.
A principal mensagem dos especialistas é que conhecer os sinais, manter acompanhamento médico e buscar avaliação diante de alterações suspeitas são medidas importantes para favorecer o diagnóstico precoce.
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