Pesquisadoras da Universidade de Macau acenderam um alerta sobre o consumo frequente de vídeos curtos por crianças. De acordo com os estudos, o hábito de passar horas rolando a tela no celular pode afetar o desenvolvimento cognitivo e estar associado a sintomas como dificuldade de concentração, ansiedade social e insegurança.
A pesquisa identificou uma relação clara: quanto maior o tempo dedicado a esse tipo de conteúdo, menor o envolvimento dos estudantes com a escola.
Estímulo rápido, impacto duradouro
Segundo as autoras, o formato dinâmico e acelerado dos vídeos curtos ativa estímulos constantes no cérebro, tornando o conteúdo altamente atrativo. O problema é que essa exposição repetida pode prejudicar a capacidade de manter foco em atividades que exigem mais atenção, como leitura e tarefas escolares.

As plataformas utilizam algoritmos personalizados que entregam conteúdos alinhados aos interesses do usuário. Isso gera sensação imediata de recompensa e pertencimento, fatores que podem incentivar o uso excessivo.
Quando o uso vira fuga
Outro ponto destacado é que o consumo compulsivo muitas vezes funciona como mecanismo de escape. Estresse diário, pressões sociais e até predisposição individual podem influenciar comportamentos de dependência.
Além disso, a facilidade de acesso — disponível a qualquer hora e lugar — torna o controle ainda mais desafiador.
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Qual é o caminho?
As pesquisadoras defendem que a solução não está apenas em proibir o uso do celular. O foco deve estar em:
- Fortalecer vínculos familiares
- Incentivar atividades fora das telas
- Desenvolver habilidades de autorregulação
- Observar sinais como queda no rendimento escolar e alterações no sono
Um fenômeno global
Na China, até dezembro de 2024, cerca de 1,1 bilhão de pessoas tinham acesso a vídeos curtos, com quase a totalidade sendo usuária ativa do formato, segundo relatório oficial sobre serviços audiovisuais online. A indústria movimenta cifras bilionárias e cresce impulsionada também por transmissões ao vivo e conteúdos produzidos com inteligência artificial.
O cenário mostra que o debate sobre educação digital não é apenas uma questão familiar, mas social.
E você, já percebeu como o tempo no scroll influencia a rotina das crianças ao seu redor? Gostou do tema? Compartilhe com os amigos e continue acompanhando nossos conteúdos.




