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Deepfakes políticos se espalham nas redes antes das eleições de 2026

Levantamento identificou 554 vídeos e imagens manipulados por inteligência artificial. Parte do material foi publicada por candidatos e partidos, apesar das restrições eleitorais.

Vídeos e imagens manipulados por inteligência artificial (IA) estão entre os principais desafios para a integridade das informações durante as eleições gerais de 2026. Um levantamento do projeto VigIA, realizado pela agência de checagem Lupa, identificou pelo menos 554 conteúdos classificados como deepfakes nas redes sociais durante o período analisado.

Desse total, 29 publicações foram feitas por perfis de candidatos ou partidos políticos. Dependendo das circunstâncias e das regras aplicáveis, a divulgação desse tipo de material pode resultar em sanções eleitorais.

Os deepfakes são conteúdos criados ou alterados com ferramentas de inteligência artificial para fazer uma pessoa real parecer dizer algo que nunca disse ou realizar ações que não aconteceram. Em períodos eleitorais, esse recurso pode ser usado para fabricar declarações, simular apoios políticos e disseminar informações falsas.

O que diz a legislação eleitoral?

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu restrições ao uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. Entre as medidas estão regras para conteúdos sintéticos e manipulados, incluindo a identificação do material produzido com auxílio de IA e a proibição de determinados usos de deepfakes.

A aplicação de sanções depende da análise de cada caso e das condições previstas na legislação. Em situações específicas, as consequências podem incluir a cassação de candidatura ou mandato, conforme a gravidade da infração e o entendimento da Justiça Eleitoral.

O desafio, porém, não se limita às publicações feitas por candidatos. Grande parte dos conteúdos identificados pelo levantamento partiu de usuários comuns, inclusive de perfis anônimos, o que dificulta a identificação dos responsáveis e a responsabilização.

Mais da metade dos conteúdos analisados eram deepfakes

O relatório divulgado pelo VigIA apontou que os deepfakes representaram cerca de 60% das 920 publicações com uso de inteligência artificial confirmadas pela equipe entre 16 de agosto e 28 de setembro.

Entre os exemplos mais recorrentes estavam vídeos em que jornalistas apareciam anunciando notícias inventadas e celebridades pareciam declarar apoio a candidatos, sem que essas manifestações fossem reais.

Segundo Beatriz Farrugia, pesquisadora responsável pelo relatório, a predominância de conteúdos publicados por usuários comuns e avatares anônimos representa um obstáculo para a fiscalização eleitoral.

A pesquisadora destaca que o enfrentamento ao problema exige, além da atuação da Justiça Eleitoral, cooperação com as plataformas digitais para ajudar a identificar os responsáveis pelas publicações.

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Identificação do uso de IA ainda é um problema

O levantamento também encontrou falhas na sinalização de conteúdos produzidos ou modificados com inteligência artificial.

Dos 920 materiais confirmados, apenas 371 estavam identificados como conteúdos feitos com auxílio da tecnologia, o equivalente a aproximadamente 40%. Os outros 549 não apresentavam a sinalização indicada pelo relatório.

Entre essas publicações sem identificação, 75 foram atribuídas a candidatos ou partidos políticos.

A ausência de sinalização pode dificultar que o público reconheça quando uma imagem ou um vídeo foi manipulado. Por isso, as regras eleitorais buscam ampliar a transparência e permitir que os eleitores avaliem o material com mais informações sobre sua origem.

O que o projeto VigIA encontrou?

Ao longo do período analisado, o projeto coletou 1.941 conteúdos político-eleitorais considerados suspeitos. Desse conjunto, 972 imagens e vídeos passaram por análise, e 920 tiveram o uso de inteligência artificial confirmado.

A investigação é realizada em parceria com o laboratório de inteligência artificial Recod.ai, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O processo utiliza três ferramentas de detecção de IA para identificar possíveis indícios de manipulação. Em seguida, os resultados são avaliados pelos pesquisadores.

Além dos deepfakes, o estudo considera outros conteúdos sintéticos, nos quais a tecnologia é utilizada para criar ou modificar elementos de uma publicação, sem necessariamente simular falas ou ações de uma pessoa real.

Para Cristina Tardáguila, fundadora e gerente de Inteligência e Formação da Agência Lupa, os resultados mostram que a inteligência artificial já faz parte da comunicação política cotidiana, ampliando o desafio para eleitores e órgãos de fiscalização.

Promoção de candidatos e ataques políticos

Entre os 920 conteúdos confirmados, 414 tinham como objetivo promover candidaturas, o equivalente a cerca de 45% do total. O levantamento também identificou publicações com ataques a candidatos ou outras figuras públicas, além de materiais voltados ao humor e à sátira.

A disputa presidencial concentrou parte significativa dos conteúdos analisados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição segundo o levantamento, apareceu em 379 publicações. Flávio Bolsonaro (PL) foi citado em 190.

No caso das publicações envolvendo Lula, 39% foram classificadas como humor ou sátira e 34% como materiais que buscavam atacar sua candidatura. Entre as publicações relacionadas a Flávio Bolsonaro, 40% tinham como objetivo favorecê-lo e 28% eram de humor ou sátira.

Na análise geral, 47% dos autores foram classificados como usuários comuns. Perfis desconhecidos responderam por 27% das publicações, enquanto contas oficiais de candidaturas representaram 24,5%.

Como o eleitor pode se proteger?

Com a circulação de conteúdos manipulados, é importante verificar a origem das publicações antes de compartilhar vídeos ou imagens relacionados às eleições.

Algumas medidas podem ajudar:

  • Confira a fonte: procure o conteúdo nos canais oficiais da pessoa ou instituição mencionada.
  • Busque outras notícias: verifique se veículos de comunicação confiáveis publicaram informações semelhantes.
  • Desconfie de conteúdos muito surpreendentes: declarações polêmicas ou anúncios extraordinários merecem checagem antes de serem compartilhados.
  • Observe o contexto: cortes, áudios e imagens fora de contexto podem alterar o sentido de uma declaração.
  • Não confie apenas na aparência: vídeos e áudios podem parecer reais mesmo quando foram manipulados por inteligência artificial.

A tecnologia também pode dificultar a identificação de falsificações por meio de uma simples observação visual. Por isso, a combinação de checagem de fontes, contexto e informações independentes é fundamental para reduzir a circulação de desinformação.

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SARA CELESTINO
SARA CELESTINOhttp://jovemnamidia.com.br
Sara Celestino, dona do Jovem na Mídia, é repórter-fotográfica e criadora de conteúdo, apaixonada por jogos, tecnologia, K-pop e tudo que envolve o universo jovem. Sempre antenada nas tendências, traz notícias de forma leve, dinâmica e envolvente, conectando a nova geração ao que realmente importa!
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