Nos últimos anos, expressões como “redpill”, “incel” e “alpha male” começaram a aparecer com frequência nas redes sociais. Por trás desses termos, especialistas apontam a presença de comunidades online que difundem misoginia, ou seja, o ódio e a discriminação contra mulheres.
Esses grupos costumam se organizar em fóruns, redes sociais e aplicativos de mensagens, criando linguagens próprias e códigos para espalhar suas ideias. Segundo pesquisadores, esse tipo de discurso pode incentivar comportamentos agressivos e até episódios de violência.
O que é a chamada “machosfera”?

O termo machosfera é usado para descrever um conjunto de comunidades online que defendem uma visão rígida de masculinidade e criticam movimentos ligados à igualdade de gênero.
Dentro desses espaços, surgem diferentes grupos e ideologias. Alguns dos mais conhecidos são:
- Incels: homens que se definem como “celibatários involuntários” e culpam mulheres ou a sociedade por não conseguirem relacionamentos.
- Redpill: inspirado no filme The Matrix, o termo passou a representar a ideia de que homens “despertaram” para uma suposta realidade em que as mulheres manipulam os relacionamentos.
- MGTOW: sigla para Men Going Their Own Way, movimento que defende que homens devem evitar qualquer relacionamento com mulheres.
- PUA (Pick Up Artists): grupo que promove técnicas de sedução baseadas em manipulação emocional.
Hierarquias criadas nesses grupos
Essas comunidades também criaram uma espécie de “ranking social” masculino e feminino, com termos que aparecem bastante nas redes.
Alguns exemplos são:
- Chad: homem considerado extremamente atraente e bem-sucedido.
- Alfa: ideal de homem dominante e líder.
- Beta: homem visto como comum ou submisso.
- Sigma: figura popular na internet que representa um “alfa solitário”.
- Stacy: termo usado para descrever mulheres consideradas muito atraentes.
Essas classificações costumam reforçar estereótipos e rivalidades, tanto entre homens quanto em relação às mulheres.
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Gírias e teorias usadas nesses espaços
Além das hierarquias, existem várias gírias e ideias que circulam nesses grupos.
Entre elas:
- 80/20: teoria que afirma que 80% das mulheres se interessariam apenas por 20% dos homens mais ricos ou atraentes.
- Hipergamia: crença de que mulheres sempre buscam parceiros de status social mais alto.
- AWALT: sigla em inglês para “todas as mulheres são assim”, usada para generalizar comportamentos femininos.
Especialistas alertam que muitas dessas ideias não têm base científica e ajudam a espalhar visões distorcidas sobre relacionamentos e gênero.
Debate sobre misoginia na internet
Ativistas e pesquisadores afirmam que esse tipo de discurso faz parte de um fenômeno maior de misoginia online. A escritora e ativista Lola Aronovich, por exemplo, denuncia ataques contra mulheres na internet há anos.
A discussão também levou à criação da Lei nº 13.642/2018, que permite à Polícia Federal investigar crimes de misoginia cometidos na internet.
Para especialistas, entender esse vocabulário ajuda a identificar discursos de ódio e promover debates mais conscientes nas redes.
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