Mesmo sem cérebro, águas-vivas e anêmonas-do-mar apresentam padrões de sono semelhantes aos humanos. A descoberta, publicada na revista Nature Communications, reforça a ideia de que o sono pode ter surgido como um mecanismo biológico essencial para proteger e reparar o DNA em células nervosas.
O estudo foi conduzido por pesquisadores liderados pelo neurocientista Lior Appelbaum, da Universidade Bar-Ilan (Israel), com experimentos realizados tanto em laboratório quanto no habitat natural em Key Largo, na Flórida (EUA).
💤 Quanto elas dormem?
Os cientistas observaram que a água-viva Cassiopea andromeda dorme cerca de oito horas por dia — principalmente à noite — e ainda tira uma espécie de “soneca” ao meio-dia.

Já a anêmona-do-mar estrelada Nematostella vectensis, cujo padrão de sono foi descrito pela primeira vez, descansa aproximadamente um terço do dia, concentrando o repouso ao amanhecer.
Mesmo sem um cérebro centralizado, esses organismos possuem neurônios. E é justamente aí que a descoberta ganha força.
🔬 Sono pode proteger o DNA
A pesquisa sugere que o sono ajuda a reparar danos acumulados nas células nervosas durante períodos de atividade. Como neurônios não se regeneram facilmente, manter sua integridade é crucial para a sobrevivência do organismo.
Apesar de representar um risco evolutivo — já que o animal fica vulnerável a predadores e deixa de se alimentar ou reproduzir enquanto descansa — o sono está presente em todas as espécies com sistema nervoso já estudadas até hoje. Isso indica que ele cumpre uma função biológica fundamental.
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Segundo os pesquisadores, ainda não se sabe exatamente como esses ciclos são regulados em animais sem cérebro centralizado. Também não está claro como essas descobertas podem contribuir, no futuro, para o entendimento de distúrbios do sono em humanos.
🌍 Por que isso importa?
A descoberta amplia o debate sobre a origem do sono na evolução. A hipótese mais forte até agora é que ele surgiu junto com os neurônios — e depois foi sendo adaptado conforme as necessidades de cada espécie.
Se até organismos considerados “primitivos” precisam dormir, talvez o sono seja ainda mais essencial do que imaginávamos.




