Um dos maiores estudos genômicos já feitos no Brasil trouxe um alerta importante: parte dos casos de câncer pode estar ligada ao DNA da própria família.
A pesquisa analisou o material genético de 275 pacientes com câncer de mama, próstata e intestino atendidos pelo SUS em diferentes regiões do país. O resultado chamou atenção dos cientistas: cerca de 1 em cada 10 pacientes possuía mutações hereditárias associadas ao desenvolvimento da doença.
O que isso significa na prática?
Essas alterações genéticas podem ser passadas de geração em geração e aumentar bastante o risco de câncer em familiares próximos, como filhos, irmãos e pais.
Além disso, descobrir a mutação pode mudar completamente o tratamento do paciente.
Em alguns casos de câncer de mama, por exemplo, pessoas com alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem responder melhor a medicamentos específicos. Já certos tipos de câncer de intestino podem ter melhor resposta à imunoterapia quando ligados a mutações hereditárias.
O alerta para as famílias
O estudo também identificou que quase 40% dos familiares testados carregavam a mesma mutação genética — mesmo sem terem desenvolvido câncer.
Isso permite que médicos iniciem acompanhamento preventivo antes da doença aparecer, com exames frequentes e monitoramento especializado.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Casos de câncer na família antes dos 50 anos;
- Histórico de câncer de mama, ovário, próstata ou intestino em parentes próximos;
- Vários casos de câncer na mesma família.
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Mutação comum no Brasil chamou atenção
Os pesquisadores também destacaram a presença da mutação TP53 R337H, associada à Síndrome de Li-Fraumeni, condição que aumenta fortemente o risco de câncer ao longo da vida.
Segundo os especialistas, essa alteração genética é mais comum no Brasil do que em outros países, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
SUS ainda enfrenta desafios
Apesar do avanço da pesquisa, testes genéticos e acompanhamento especializado ainda não são realidade para a maioria da população brasileira.
Atualmente, o país possui poucos serviços de oncogenética disponíveis no SUS, concentrados principalmente em grandes cidades.
Mesmo assim, especialistas reforçam que pessoas com forte histórico familiar devem procurar orientação médica para avaliação.
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