A declaração de Donald Trump, afirmando que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela após a prisão de Nicolás Maduro, não surgiu do nada. Por trás da fala dura e da ação militar, existe uma ideia antiga da política externa americana que voltou com força: a Doutrina Monroe.
Durante uma coletiva, Trump foi direto ao ponto — e até irônico — ao dizer que a doutrina “foi esquecida”, mas agora estaria de volta, chegando a brincar com o termo “Documento Donroe”, uma mistura de Donald Trump com James Monroe, presidente dos EUA no século XIX.
Mas afinal, o que essa doutrina significa — e por que ela importa tanto agora?
O que é a Doutrina Monroe?

Criada em 1823, a Doutrina Monroe definiu a América Latina como zona de interesse estratégico dos Estados Unidos. Na prática, a mensagem era clara:
👉 potências europeias não deveriam se meter nos assuntos do continente americano.
Em troca, os EUA prometiam não interferir nos conflitos internos da Europa. Era o famoso lema não oficial:
“A América para os americanos” — leia-se, sob liderança de Washington.
De discurso defensivo a ferramenta de poder
Com o passar dos anos, a Doutrina Monroe deixou de ser apenas uma posição defensiva e passou a servir como base para intervenções políticas, econômicas e militares dos EUA na América Latina.
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Ela já foi usada como justificativa para:
- intervenções militares
- apoio ou derrubada de governos
- sanções econômicas
- pressão diplomática
Ou seja, virou um manual informal de influência americana no continente.
E o que isso tem a ver com a Venezuela?
Ao afirmar que os EUA vão permanecer na Venezuela até uma “transição adequada”, Trump resgata exatamente essa lógica:
os Estados Unidos se colocam como árbitros do futuro político da região, sem mediação internacional clara.
Na prática, a ação reforça a ideia de que Washington ainda se vê como garantidor da ordem no Hemisfério Ocidental, mesmo quase 200 anos depois da criação da doutrina.
Por que isso gera tanta tensão?
Porque o mundo mudou — mas a lógica de poder, nem tanto.
A retomada explícita da Doutrina Monroe:
- enfraquece organismos multilaterais
- ignora a soberania regional
- reacende memórias de intervenções passadas
E coloca a América Latina novamente no centro de um tabuleiro geopolítico dominado por grandes potências.




