Preferências estéticas podem estar ligadas à economia de energia cerebral
Você já parou para pensar por que um pôr do sol calmo ou um céu limpo à noite parecem tão agradáveis? Um novo estudo sugere que isso pode ter menos a ver com gosto pessoal e mais com economia de energia do cérebro.
Pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, descobriram que tendemos a gostar mais de imagens que exigem menos esforço cognitivo para serem processadas. O trabalho foi publicado na revista científica PNAS Nexus e levanta uma hipótese curiosa: o “bonito” pode ser, na prática, aquilo que cansa menos o cérebro.
Beleza como atalho mental
O cérebro busca eficiência o tempo todo
Segundo os cientistas, nossas preferências visuais podem funcionar como atalhos cognitivos, ajudando o cérebro a poupar energia durante a interação com o ambiente. Em termos evolutivos, isso faria sentido: gastar menos energia pode ter sido essencial para a sobrevivência humana ao longo do tempo.
O estudo foi liderado pelo neurocientista Dirk Bernhardt-Walther, que analisou como o consumo energético do cérebro se relaciona com aquilo que consideramos esteticamente agradável.
Por que isso importa?
O processamento visual consome muita energia
O cérebro é o órgão que mais consome energia no corpo humano. Aproximadamente metade desse gasto está ligada apenas ao processamento visual. Por isso, entender como o cérebro escolhe imagens “mais fáceis” de processar ajuda a explicar por que certos padrões, cenas e formas nos atraem mais do que outros.
Diferente de pesquisas anteriores, que focavam apenas em como o cérebro economiza energia, este estudo investigou como essa economia influencia diretamente nossas preferências estéticas.
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Como o estudo foi feito
Imagens, ressonância magnética e inteligência artificial
Os pesquisadores utilizaram dados já existentes de ressonância magnética funcional (fMRI). Quatro participantes observaram cerca de 5 mil imagens, enquanto a atividade cerebral era monitorada.
As mesmas imagens também foram analisadas por uma rede neural artificial, treinada para reconhecer objetos e cenas. O objetivo era estimar o “custo metabólico” de cada imagem, ou seja, quanta energia o cérebro precisaria para processá-la.
Depois disso, mais de 1.000 voluntários online avaliaram essas imagens, dando notas de estética em uma escala de cinco pontos.
O que os resultados mostraram
Quanto menos esforço, mais agrado
A conclusão foi clara: imagens que exigiam menor esforço metabólico do cérebro tendiam a receber avaliações mais altas de beleza.
Essa correlação foi ainda mais forte em áreas visuais de alto nível do cérebro, como a área fusiforme facial, responsável pelo reconhecimento de rostos.
“Não apenas o sistema visual é otimizado para eficiência, mas também podemos ter preferências estéticas por estímulos que são eficientes de processar”, explicou Mick Bonner, neurocientista da Universidade Johns Hopkins, que não participou da pesquisa.
O prazer do “clique mental”
O momento do entendimento pode ser recompensador
Bernhardt-Walther aponta que até a sensação de “eureka” pode estar ligada a isso. Segundo ele, quando algo faz sentido de repente, ocorre uma queda brusca na demanda metabólica, o que gera prazer.
“A experiência de compreender algo é profundamente agradável porque o cérebro passa a gastar menos energia”, afirmou o pesquisador.
O que ainda falta responder
Nem tudo está explicado
Apesar dos avanços, os cientistas ainda não sabem exatamente quais características tornam uma imagem mais fácil de processar — se são cores, simetria, familiaridade ou outros fatores.
Outra dúvida em aberto é se o menor custo metabólico causa diretamente a preferência estética ou se ambos estão ligados a algo em comum, como experiências visuais já conhecidas.
“O que exatamente torna uma imagem mais fácil para o sistema visual processar continua sendo uma grande questão”, concluiu Bonner.




