Insetos que costumam ser vistos como incômodos estão ganhando um papel importante na ciência. Mosquitos, moscas e até sanguessugas estão sendo usados por pesquisadores para identificar animais que vivem em diferentes ecossistemas e monitorar doenças que circulam entre espécies silvestres.
A técnica, conhecida como iDNA (DNA derivado de invertebrados), aproveita os fragmentos de material genético que esses pequenos animais carregam após se alimentarem de sangue, carcaças ou outros resíduos biológicos.
Como funciona a tecnologia
Quando um mosquito pica um animal ou uma mosca entra em contato com uma carcaça, pequenos fragmentos de DNA ficam armazenados no organismo desses invertebrados. Em laboratório, os cientistas analisam esse material para descobrir quais espécies passaram por aquele ambiente, sem a necessidade de capturá-las ou observá-las diretamente.
O método surgiu como uma evolução do chamado DNA ambiental (eDNA), usado para identificar espécies por meio de vestígios deixados na natureza, como na água ou no solo. Agora, os insetos atuam como verdadeiros “coletores naturais” de informações.
Ajuda na preservação e no combate a doenças
A tecnologia já vem sendo aplicada em diferentes partes do mundo. Na China, por exemplo, pesquisadores analisaram milhares de sanguessugas para mapear a fauna de uma reserva natural, identificando espécies raras e até a presença de animais domésticos em áreas protegidas.
Nos Estados Unidos, estudos com mosquitos mostraram que o método consegue registrar uma grande variedade de espécies, além de auxiliar na busca por vírus que afetam animais silvestres.
Os cientistas também acreditam que o iDNA pode fortalecer a vigilância de doenças na natureza, permitindo identificar quais animais estão associados a determinados microrganismos e acompanhar a circulação de patógenos antes que eles se espalhem.
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Técnica ainda enfrenta desafios
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores explicam que ainda existem obstáculos. A extração de DNA pode ser complexa devido à degradação do material genético, e o risco de contaminação das amostras exige cuidados rigorosos durante as análises.
Mesmo assim, especialistas defendem que o investimento na tecnologia pode ampliar o monitoramento da biodiversidade, especialmente em regiões com grande riqueza ambiental, contribuindo para a conservação da fauna e para pesquisas sobre saúde pública.
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