Medicamentos à base de corticoides são amplamente utilizados para tratar alergias, inflamações e diversos problemas de saúde. Porém, o uso frequente e sem acompanhamento médico pode trazer consequências graves para a visão, incluindo o desenvolvimento de glaucoma e até cegueira.
O alerta foi feito pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), que chama a atenção para o aumento dos riscos associados à automedicação com esses remédios.
Como os corticoides afetam os olhos?
Os corticoides ajudam a reduzir inflamações e costumam aliviar os sintomas rapidamente. Por isso, muitas pessoas acabam reutilizando colírios, pomadas ou comprimidos por conta própria sempre que enfrentam algum desconforto.
O problema é que o uso prolongado pode dificultar a drenagem do líquido presente dentro dos olhos, elevando a pressão ocular. Com o tempo, esse aumento pode causar danos permanentes ao nervo óptico, levando ao glaucoma.
A doença não tem cura e, quando não é diagnosticada e tratada corretamente, pode resultar em perda irreversível da visão.
Mais de 1,7 milhão de brasileiros convivem com a doença
Segundo especialistas, cerca de 1,7 milhão de pessoas vivem com glaucoma no Brasil. A condição é mais comum após os 40 anos e o risco aumenta conforme a idade avança.
Pessoas que já possuem glaucoma são ainda mais vulneráveis aos efeitos dos corticoides. De acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, a maioria desses pacientes apresenta sensibilidade ao medicamento, o que pode provocar um aumento significativo da pressão ocular.
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Outros problemas de saúde também podem surgir
Além dos impactos na visão, o uso indiscriminado de corticoides pode causar diversas complicações no organismo.
Entre elas estão aumento da glicose no sangue, agravamento do diabetes, hipertensão, ganho de peso, retenção de líquidos, enfraquecimento dos ossos, alterações hormonais e maior risco de infecções.
Por isso, especialistas reforçam que o medicamento só deve ser utilizado com prescrição e acompanhamento profissional.
Entidades pedem mais controle na venda
A Sociedade Brasileira de Glaucoma, junto ao Conselho Brasileiro de Oftalmologia e à Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, encaminhou um alerta a órgãos públicos e entidades médicas pedindo medidas mais rigorosas para a comercialização de medicamentos que contenham corticoides.
A proposta é criar mecanismos de controle semelhantes aos já adotados para antibióticos, que exigem retenção da receita médica na farmácia.
O objetivo é reduzir a automedicação e aumentar a segurança dos pacientes.
Crianças e idosos merecem atenção especial
Os especialistas destacam que alguns grupos exigem acompanhamento ainda mais cuidadoso, especialmente crianças, idosos e pessoas que utilizam corticoides por períodos prolongados.
No caso das crianças, o uso frequente de colírios com corticoides para tratar alergias pode aumentar a pressão ocular e até favorecer o aparecimento precoce de catarata.
Já entre os idosos, o risco é maior porque muitos já convivem com glaucoma ou outras doenças que exigem tratamentos contínuos.
Fique atento aos cuidados
Médicos recomendam que pacientes que utilizam corticoides regularmente realizem exames oftalmológicos periódicos para monitorar a pressão intraocular e identificar possíveis alterações precocemente.
A orientação é simples: nunca iniciar ou prolongar o uso desses medicamentos sem orientação médica.
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