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Inteligência artificial aumenta produtividade, mas reduz interação entre colegas de trabalho, aponta estudo

A inteligência artificial generativa está transformando a forma como profissionais trabalham em diferentes setores. Ferramentas como ChatGPT e Claude passaram a assumir tarefas que antes exigiam consultas a colegas, reuniões rápidas ou trocas de mensagens, aumentando a produtividade, mas também reduzindo parte da convivência dentro das equipes.

Especialistas alertam que essa mudança pode ter impactos que vão além da eficiência. Em muitos casos, o ambiente de trabalho ainda representa um dos principais espaços de interação social para adultos, e a diminuição dessas conexões pode afetar a dinâmica das empresas.

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IA acelera tarefas e reduz dependência de colegas

O avanço das ferramentas de IA permite que profissionais obtenham respostas e soluções em poucos segundos, sem precisar recorrer a outros membros da equipe.

Foi o que aconteceu com Daniel Deceuster, diretor de marketing da Zion HealthShare, nos Estados Unidos. Segundo ele, atividades que antes exigiam contato com designers, engenheiros ou outros especialistas agora são resolvidas diretamente por plataformas de inteligência artificial.

O resultado é um aumento significativo na produtividade. Por outro lado, Deceuster afirma que sua interação com colegas caiu pela metade.

“É triste perceber essa perda. Gosto de conversar, trocar ideias e me envolver com as pessoas”, relatou ao Business Insider.

Menos conversas, menos troca de conhecimento

Para Jessica Reif, professora de gestão da Wharton School, cada vez mais profissionais optam por resolver problemas sozinhos com a ajuda da IA.

A especialista destaca que essas ferramentas criam uma nova forma de acessar conhecimento que, anteriormente, dependia da colaboração entre pessoas. Embora isso torne os processos mais rápidos, também reduz oportunidades de aprendizado coletivo.

Um levantamento realizado pela Cisco identificou um comportamento semelhante. Funcionários que utilizavam inteligência artificial com maior frequência demonstraram menor nível de confiança em suas equipes quando comparados aos usuários ocasionais da tecnologia.

Impacto pode afetar cultura e desempenho das equipes

Outro estudo, realizado pela plataforma BetterUp, revelou que alguns trabalhadores passaram a buscar na inteligência artificial o tipo de orientação e feedback que antes recebiam de gestores ou mentores.

Os profissionais que adotaram esse comportamento relataram menor alinhamento com suas equipes, níveis mais elevados de esgotamento emocional e maior intenção de mudar de emprego.

Para Kate Niederhoffer, cientista-chefe da BetterUp, a interação humana continua sendo essencial para o bom funcionamento das organizações.

“Somos seres sociais. As relações no trabalho não servem apenas como suporte emocional. Elas ajudam as pessoas a colaborarem melhor”, explica.

Segundo ela, conversas informais também desempenham um papel importante na construção de confiança, na resolução de conflitos e no alinhamento de objetivos.

Nem toda redução de interação é negativa

Apesar das preocupações, especialistas reconhecem que a diminuição de algumas interações pode trazer benefícios.

Peter Pang, cofundador e diretor de tecnologia da Creao AI, afirma que o uso de agentes de inteligência artificial reduziu significativamente conflitos internos em sua empresa.

Segundo ele, o tempo dedicado à gestão de pessoas caiu de aproximadamente 60% para apenas 10%, permitindo maior foco em atividades estratégicas.

Ainda assim, especialistas alertam que a eficiência proporcionada pela tecnologia não substitui a necessidade de coordenação, confiança e comunicação entre os membros de uma equipe.

O desafio das empresas na era da IA

Diante desse cenário, organizações começam a repensar como manter vínculos humanos em um ambiente cada vez mais automatizado.

Mentorias, encontros presenciais, reuniões individuais e atividades de integração podem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

Para especialistas, o objetivo não deve ser substituir relações humanas pela inteligência artificial, mas utilizar a tecnologia como ferramenta de apoio para melhorar a comunicação e fortalecer a colaboração.

A tendência é que a IA continue tornando o trabalho mais rápido e eficiente. O desafio será garantir que essa evolução não transforme os ambientes profissionais em espaços cada vez mais silenciosos, isolados e desconectados.

SARA CELESTINO
SARA CELESTINOhttp://jovemnamidia.com.br
Sara Celestino, dona do Jovem na Mídia, é repórter-fotográfica e criadora de conteúdo, apaixonada por jogos, tecnologia, K-pop e tudo que envolve o universo jovem. Sempre antenada nas tendências, traz notícias de forma leve, dinâmica e envolvente, conectando a nova geração ao que realmente importa!
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