A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu investigação para apurar o uso indevido da Inteligência Artificial do X (antigo Twitter), o Grok, em ataques virtuais que têm sexualizado imagens de mulheres sem consentimento. A prática vem se espalhando pela plataforma e já atinge vítimas no Brasil e no exterior.
O caso que motivou a investigação envolve a carioca Julie Yukari, que teve uma foto comum — publicada na virada do Ano Novo ao lado do seu gato — transformada em imagens falsas com nudez e cenas de cunho sexual. Segundo o relato, perfis anônimos passaram a pedir publicamente ao Grok que alterasse a imagem, gerando montagens cada vez mais explícitas.
Julie afirma que o choque foi imediato. Além da violação da imagem, veio o medo do julgamento social: família, trabalho e pessoas próximas poderiam ver conteúdos que ela nunca produziu. “É uma sensação de invasão total”, relatou.
🚨 Não é um caso isolado
Nos últimos dias, mulheres de diferentes países — incluindo influenciadoras e celebridades — passaram a relatar ataques semelhantes. A estratégia costuma ser a mesma: usuários tentam driblar os filtros da IA fazendo pedidos “disfarçados”, como trocar roupas por biquínis muito pequenos, depois por materiais transparentes, até chegar à nudez total.
Outra vítima é Luiza Vilhena, que teve uma foto de “Feliz Ano Novo” manipulada para aparecer em poses sexuais. O que mais assustou foi o nível de realismo das imagens geradas. “Parecia uma foto que eu realmente tinha tirado”, contou.
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O problema vai além: há relatos de imagens de adolescentes e até crianças, e nem é preciso postar fotos no X. Em alguns casos, as imagens são retiradas de outras redes, como o Instagram, e manipuladas diretamente na plataforma.
🤖 E a responsabilidade das plataformas?
Diante da repercussão, Elon Musk, dono do X, inicialmente ironizou o assunto. Depois, afirmou que usuários que utilizarem a IA para fins ilegais poderão ser punidos — sem detalhar como isso será feito. A plataforma não respondeu oficialmente aos pedidos de esclarecimento.
No Brasil, o STF já discute a responsabilidade das redes sociais pelo uso de Inteligência Artificial, mesmo quando a ação parte de usuários. Paralelamente, o Congresso segue debatendo o Marco Regulatório da IA, que ainda aguarda parecer na Câmara dos Deputados.
🛑 O que fazer se você for vítima
Especialistas orientam que a vítima:
- Denuncie imediatamente o pedido feito ao Grok, a imagem gerada e o perfil envolvido
- Faça prints de tudo antes que o conteúdo seja apagado
- Registre ocorrência na polícia, especialmente em delegacias especializadas em crimes cibernéticos
📌 Alerta importante: tecnologia sem limite vira ameaça. O debate sobre IA não é mais futuro — é urgente, real e afeta vidas agora.




